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Fábio Sérvio mira prefeitura de Teresina mas de olho em 2022

Hoje no PROS, o empresário avalia a possibilidade de mudar de partido e já recebeu convites de diversas siglas

Reportagem de Douglas Cordeiro e Wesslley Sales

Com mais de 67 mil votos conquistados em sua primeira eleição, Fábio Sérvio foi o quarto mais bem votado para Governador do Piauí em 2018. 

Hoje no PROS, o empresário avalia a possibilidade de disputar a Prefeitura de Teresina e até mesmo a mudança de partido já pensando em um projeto para 2022.

Eu tive 67 mil votos sem nunca ter participado da política, sem estrutura partidária e nem recursos. Isso incomodou a classe política do Piauí.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - O senhor foi candidato ao Governo pelo PSL. Hoje é do PROS, mas tem recebido vários convites como do PROGRESSISTAS e PSD. Qual seu futuro político?

FÁBIO SÉRVIO - Tivemos diálogo com PSD, mas não chegou a ser convite e recentemente do PROGRESSISTAS. A questão partidária no Brasil é muito complexa. Temos as nacionais, as regionais e locais com seus posicionamentos para cada eleição. Hoje se faz projeção para 2020 e um reflexo para 2022. Importante seria unificar as eleições. Iria baratear para os cofres públicos e teríamos menos dificuldades de posicionamentos. Mas, tivemos os convites e estamos analisando. Estou muito bem na minha casa hoje, onde fui muito bem recebido. 

As forças políticas no Estado não representam o que cada partido é, uma força política. São aqueles mais votados. Temos, por exemplo, a força política do Governador Wellington Dias e abaixo dele uma série de siglas partidárias que fazem parte daquele grupo. Tem uma segunda força que é o grupo do Senador Ciro Nogueira. Basicamente hoje em termos de massificação essas duas correntes são as principais no Estado. A gente tinha alternativa partidária. O único partido político livre dessas forças políticas era o PROS. 

Estreamos bem em 2018, onde tivemos uma votação que nos posicionou em quarto lugar para Governador do Estado. Eu tive 67 mil votos sem nunca ter participado da política, sem estrutura partidária nem recursos. Isso incomodou a classe política do Estado, gerando perseguição direta e indireta e que me afetou como empresário. Não é todo mundo que resistiria ao que resisti. Suportamos todas as pressões, coisa que a população nem imagina.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - Mas, quais cargos o senhor disputaria pelo PSD ou PROGRESSISTAS?

FÁBIO SÉRVIO - Na verdade o PSD foi um diálogo de cortesia entre três políticos. No caso do PROGRESSISTAS um convite mais realista voltado não para 2020, mas 2022. Confesso que é difícil tomar uma decisão política neste momento porque afeta a família, afeta o nosso lado empresarial e nós temos compromisso com esses 67 mil votos. Temos que analisar o que as pessoas querem da gente e que condução querem que a gente tenha neste processo. 

Em 2018 fiz convite a um político para participar em nossa chapa e ele meio que riu e disse que Bolsonaro não iria para lugar nenhum e eu teria uma votação pífia. A política está se tornando uma grande incógnita. A população está participando mais e compreendo mais esse processo. Foi desnudada a cortina que escondia a política. Se é melhor ou pior vamos saber mais na frente. O certo é que vivemos em um país diferente. A oito anos seria difícil imaginar que a população se auto convidaria para protestar contra o Congresso Nacional. 

Qual ansiedade da população? Porque a população protesta contra o STF? O protesto é contra justiça e contra a política. Se tentar fazer política sem compreender isso estará em dissonância contra o que a população está querendo. Aqui no Piauí as coisas chegam depois, não só economicamente, na política também as mudanças são lentas. O que o PT representava no Brasil foi varrido. No Nordeste não chegou. Há uma perspectiva de que essa onda vai chegar agora e já estamos percebendo isso. 

A gente não imaginava um Governador de mandato ser vaiado. Está virando rotina não apenas aqui, mas no Brasil todo. Um Deputado Federal ir a um restaurante e o cidadão se levantar e dizer que ele faz algo de errado. Tem também o limite do respeito as autoridades. Fiz em 2018 oposição ao Governador Wellington Dias, mas mantive o nível e o respeito que a população merece. Não vamos quebrar isso nunca.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - Falando de 2020. A proposta de candidatura a vereador ou enfrentar a disputa a prefeitura de Teresina?

FÁBIO SÉRVIO - Confesso que gostaria muito de ter a oportunidade de colocar nosso ponto de vista e colocar em prática o que penso sobre a política no Piauí e em Teresina. Pré-candidatura a prefeito está mantida até uma decisão que mude isso. Quem sabe o primeiro passo não seja uma candidatura a vereador.

Qualquer decisão será com muita coerência e explicado para a população. São três alternativas, a principal é onde estamos hoje.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - O senhor fala em mostrar seu pensamento político sobre o Piauí e Teresina. Como assim?

FÁBIO SÉRVIO - Vamos fazer análise simples do espaço que a gente vive. O Piauí perdeu três ondas de desenvolvimento. Até 1986 nosso Estado tinha o mesmo PIB do Ceará. A gente tem água e terra fértil e o Ceará não tem. Hoje temos o Ceará quase cinco vezes maior que o Piauí. Estamos falando de pouco mais de 34 anos de diferença. 

A segunda onda de desenvolvimento que perdemos foi do agronegócio. A produção de soja no Piauí só começou em 1994. Temos um cinturão verde falado em Teresina a mais de 25 anos, somos banhados por dois rios, nossa produção agrícola é zero. Tudo o que a gente consome vem de fora. Nossa produção de soja representa 1.8% da produção nacional e o Mato Grosso, que começou no mesmo período que nosso Estado representa 33%. A segunda onda estamos atrasados, mas já estamos superando. 

A terceira onda é do comércio mundial (exportação e importação) até hoje não temos porto marítimo nem porto seco. O Ceará já tem dois, Maranhão indo para o segundo e Recife também tem. Essa é outra dificuldade. A quarta onda é da tecnologia. Os empregos e relações comerciais estão mudando. O próprio jornalismo mudou e estamos perdendo isso. Não temos internet de qualidade no Piauí todo. Em Teresina mesmo não tem área. 

Piauí está ficando para trás e deixando de concorrer. Porque isso está acontecendo? Nos últimos anos as decisões políticas foram equivocadas, muitas em relação a Teresina. O que é prioridade para gente? Não é só de asfalto e calçamento que vive uma cidade. Isso deveria ser o básico. Precisamos pensar é em como uma ação pública pode refletir em melhoria de vida da população do ponto de vista econômico.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - Sua decisão deve ser tomada especificamente quando?

FÁBIO SÉRVIO - Esta semana defino se continuo no PROS ou mudo de partido. É uma decisão pensada em 2020 e 2022. Nenhum convite que seja baseado em estratégia política deve ser considerado. Quando estava em Brasília no período de transição do Governo Bolsonaro existia uma expectativa de que haveria completa renovação. Congresso Nacional em janeiro quando Bolsonaro assumiu os deputados estavam de molho. 

Quem vai mandar é a nova política. Bom, não aconteceu isso. Estamos em um processo de transição e isso gerou revolta em muita gente. No Nordeste, do ponto de vista da ocupação de cargos federais, gente ligado ao PT indicado, do MDB. Então, a coisa não funcionou bem e até mesmo como eu imaginava que funcionaria. Qual o grande questionamento que tem no momento? Se Bolsonaro vai ou não fechar o Congresso. Estive aqui em uma trincheira que poucos estariam. Fiz isso lá em Brasília também. Estive em reuniões que botei o dedo no olho de quem tinha que colocar. Pediram minha opinião e eu dei. Vocês estão errando. Estão engrossando o pescoço quando agora temos que fazer a renovação completa. 

Temos que ser claros com a população e qualquer decisão que a gente tome tem que ser pragmática. O que fizemos em 2018 fomos com a cara e a coragem, porque acreditávamos na mudança. Agora, a questão é local e essa foi uma lição política que não esquecerei. Qualquer decisão que for tomada será com base na prioridade local, que é um jogo de xadrez complexo e que vamos nos fortalecer para ter uma mudança aqui. A gente está conversando com outros partidos, com muito zelo, porque qualquer movimento nosso pode gerar uma reação desproporcional. 

Você não tem ideia da oposição que sofri em nível de Brasília quando surgiu a possibilidade de indicar a CODEVASF. Então, qualquer decisão será com muita coerência e explicado para a população. São três alternativas, a principal é onde estamos hoje. As outras duas a que mais representa as mudanças que queremos promover na política local.

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