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Estações meteorológicas no Piauí estão em situação precária

O climatologista, Werton Costa, conclama a bancada piauiense por recursos para manutenção das estações que estão com problemas

Reportagem de Douglas Cordeiro e Wesslley Sales

Informações sobre o tempo são preciosas para quem dele para negócios, como é o caso da agricultura. 

Mas, no Piauí há problemas graves nas estações meteorológicas e este é o alerta feito pelo climatologista Werton Costa nesta entrevista exclusiva. 

Ele conclama a bancada piauiense a buscar parcerias para manutenção e das estações que estão em situação precária.

No Piauí, nos últimos anos, isso não é de agora, as estações vêm caindo em um estágio de inoperância, ausência de manutenção, muitas estão desligadas.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - Quais as condições estruturais no Piauí para prevenção do tempo?

WERTON COSTA - Importante lembrar que o monitoramento meteorológico é uma atribuição do Estado em várias esferas. A nível de União são três monitoramentos importantes, realizados pelo CEMADEN (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), que estabelece a política nacional de defesa civil e prevenção para os desastres; O CPTEC – INPE (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Ministério da Ciência e Tecnologia) que estabelece pesquisa espacial, mas faz o monitoramento climático; e o principal órgão de monitoramento, o Instituto Nacional de Meteorologia, que mantém o controle sobre as estações meteorológicas e é vinculado ao Ministério da Agricultura, com papel fundamental na coleta de dados, análise e previsão nacional que vai de encontro a economia do país, através do produtores rurais. 

Assim, a tabulação dos dados, a geração de imagens por satélites e a disponibilização para o público requer um aporte de recursos considerável. Nos últimos anos, isso não é de agora, estas estações vêm caindo em um estágio de inoperância, ausência de manutenção, muitas estão desligadas, outras tantas estão velhas e com sensor envelhecido. A nível de Estado este monitoramento é feito pela SEMAR (Secretária Estadual de Meio Ambiente), em um trabalho muito competente da Sônia Feitosa. 

Então, o grosso do monitoramento é Federal e temos tido muitos problemas porque existem buracos no Piauí em várias áreas onde estas estações não estão cobrindo ou estão cobrindo de forma deficitária. Às vezes temos que passar alguma informação por amostragem ou interpolação, ou seja, simplificando esses dados. Isso pode empobrecer bastante o resultado da pesquisa.

Então, a tendência é perdermos cada vez mais a cobertura de dados dessas estações.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - O que seria necessário para, minimamente, fazer um trabalho razoável a quem planta e repassar as informações aos piauienses?

WERTON COSTA - Temos equipamentos em algumas dessas estações, inclusive são novas, mas funcionam de forma deficitária a exemplo da estação de Campo Maior. A de Castelo do Piauí está inoperante, assim como a de Picos e Floriano, funcionando precariamente. A estação de Parnaíba fica muito distante da área urbana capta valores bem menores do que o esperado e por isso a gente se vale dos dados do CEMADEN. 

Então, é claro que precisa de um programa de manutenção dessas estações e aquelas que são manuais, muitos desses observadores estão se aposentando e os terceirizados não estão cobrindo mais. Então, a tendência é perdermos cada vez mais a cobertura de dados dessas estações. A única coisa que podemos fazer é clamar a sensibilidade dos nossos governantes, Senadores e Deputados, que pleiteiem junto ao Ministério da Agricultura, aporte de recursos para colocar essas estações em pleno funcionamento pelo relevante serviço à sociedade brasileira.

PORTAL DOUGLAS CORDEIRO - Então, é mobilizar em busca de recursos financeiros?

WERTON COSTA - Exatamente. A palavra é parceria. Hoje o Governo do Estado e os municípios devem buscar esta parceria. Às vezes o grande problema não é a estação em si, mas quem vai abrigar esta estação. Porque ela precisa estar dentro de um espaço obedecendo regras técnicas. Para se ter uma ideia, a estação de São João do Piauí foi afetada por uma queimada descontrolada. 

Então, temos necessidade de investimentos, que é a recuperação das estações já funcionando, a instalação de novas estações sobretudo na faixa dos Cerrados que tem cobertura muito precária. Não são tantos recursos assim, porque a vida útil dessas estações é relativamente longa. Já as estações manuais não têm profissionais que zelem. Então há de se pensar na manutenção desses locais.

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