Rússia se prepara com dificuldades para a Copa do Mundo

Com pouca tradição e baixo interesse popular por futebol, o país enfrenta problemas em todas as áreas, especialmente em infraestrutura

11 de junho de 2017, às 16:33 | Tarcio Cruz

Tite, Neymar e companhia já garantiram o Brasil na Copa do Mundo 2018 na Rússia, porém no país europeu o clima não é tão otimista quanto o da torcida brasileira pelo hexa. A Rússia, país sede, tanto esportivamente quanto estruturalmente, enfrenta sérios problemas na preparação para os jogos, e o que se vê pelas ruas das maiores cidades, Moscou e São Petersburgo, é um verdadeiro canteiro de obras. Obras atrasadas, dificuldades no setor turístico e baixa procura por ingressos colocam em dúvida o sucesso dos jogos.

Com pouca tradição e baixo interesse popular por futebol, o país europeu enfrenta problemas em todas as áreas em sua preparação, especialmente em infraestrutura. O principal aeroporto da capital Moscou e o maior do país, o Domodedovo, passa por uma grande obra de ampliação e reforma. Fundado em 1964, o aeroporto recebe cerca de 30 milhões de pessoas por ano. Pelas avenidas da capital russa muitas obras de ampliação de vias estão em execução prejudicando ainda mais o trânsito pesado da cidade.

Obras no Aeroporto Domodedovo, em Moscou

O Alto custo das obras dos estádios é outro ponto de questionamento da população. Como revela uma ex-atleta de vôlei e moradora de São Petersburgo Julia.

“Os estádios ficaram muito caros e as obras demoraram muito tempo. O país precisa de melhorias em outras áreas não em estádios de Futebol”, relata Julia.

Segundo o governo, quase 40 milhões de Reais foram investidos na reforma e reconstrução dos 12 estádios que receberão os jogos. Mais caro de todos, o Estádio Krestovsky em São Petesburgo inaugurado em Abril de 2017, tinha custo inicial 220 milhões de dólares, porém saiu por um custo final estimado em 1,5 bilhões de dólares, algo em torno de 4,9 bilhões de reais.

Nos estádios das cidades sede visitados pelo Blog do Douglas Cordeiro, tanto em São Petersburgo quanto em Moscou, obras no entorno de adequação e recapeamento de vias complicam o acesso.

O principal estádio do país, o Luzhniki, que tem capacidade para 81 mil pessoas e sediará abertura e a final da Copa, também passa por obras no seu entorno.

IDIOMA E TRANSPORTE PÚBLICO

Conhecido por ter uma das melhores e mais belas redes de metrô do mundo, o país do norte europeu também apresenta dificuldades para os visitantes estrangeiros no transporte público. Como o idioma russo oficial utiliza o alfabeto cirílico, os turistas não conseguem se orientar junto a metrôs e ônibus, nos taxis é quase impossível encontrar um motorista que se comunique em outro idioma e a cobrança dos mesmos é confusa.

Zabivara, mascote da Copa em frente a praça Vermelha

Sem taxímetros nos veículos os preços variam, em alguns veículos os valores são acordados antes mesmo das viagens, alternativa moderna para o transporte, aplicativos como o Uber são mais eficientes e chegam a custar quatro vezes menos que o táxi. O idioma russo também é presença quase exclusiva em restaurantes, lojas de departamento e placas de trânsito, dificultando a orientação dos turistas.

“A população não imaginava que precisaria de um outro idioma, uma vez que durante o período soviético não podíamos sair do país. Agora os jovens estudam outros idiomas com predominância do Francês e do Inglês, porém os mais velhos falam apenas Russo”, revela Alissa, guia de turismo.

SELEÇÃO EM BAIXA

Sem grandes tradições no futebol, a seleção russa não é popular e em uma fase de maus resultados a equipe chega para os jogos mundiais como uma das mais fracas. Em 63º no ranking da Fifa, atrás de seleções como Burkina Faso, Islândia e Panamá os russos vem de uma eliminação na primeira fase da Eurocopa e das últimas dez partidas venceram somente três jogos. 


Coluna Passando a Régua

REDES SOCIAIS