Uma nova jogada para esquecer a derrota e seguir em frente

A coisa não seguiu adiante como se queria e vai ter que percorrer um caminho padrão de discussão congressual

01 de março de 2021, às 14:30 | Genésio Júnior

As mais populares festa nordestinas do Brasil são os eventos de junho, com as celebrações pagãs em torno de Santo Antônio, São João, São Pedro e São Marçal, esse último menos celebrado. Diz-se por lá que é o melhor período para fazer algo que não se percebe, pois nada é percebido em meio ao foguetório.

Figuras de linguagem?! Pode ser. Na Política isso existe demais. Fazer coisas ressonantes para tornar inaudíveis coisas menores. Coisas pequenas que se ficassem sozinhas na sala do poder poderiam se agigantar.

O deputado Arthur Lira (PROGRESSISTAS-AL), o novíssimo presidente da Câmara, é inegavelmente um homem de coragem, determinado.  Ele se deu mal na última sexta-feira no episódio da PEC nº 03/2021, que logo ficou conhecida como “PEC da Impunidade”, que ele e sua burocracia chamou de “PEC das Prerrogativas”. 

A coisa não seguiu adiante como se queria e vai ter que percorrer um caminho padrão de discussão congressual. O PT, o maior partido da Câmara, decidiu não apoiar a votação à jato, o Supremo avisou que não iria barrar a coisa mas queria um projeto melhor, o Senado avisou que não iria fazer a coisa à jato, também. Ficou como uma derrota, mas ele é nordestino....

Ainda no sábado (27/02), Lira anunciou que iria se reunir com os governadores dos Estados e do Distrito Federal para discutir o avanço da pandemia que está fazendo quase todo eles tomarem medidas de fechamento social, quase lockdown; de quebra, ele vai colocar essa turma com os congressistas que comandarão o Orçamento 2021, que ainda, como se sabe, não foi votado.

É bom lembrar, também, que a Câmara, numa articulação de Lira, vai apreciar (ou deve) na primeira semana de março a Lei do Gás e o marco legal das Startups. Esses são temas que agradam em cheio o chamado mercado, que anda deprimidíssimo com o Governo Federal qual jogou o tal liberalismo na lata do lixo, apesar de negar com as manobras da MP da ELETROBRAS e da nova “velha” proposta sobre os Correios.

A iniciativa de Lira chama atenção e não deixa de ser um passo além. Todos que conhecem a ritualística sabem que, no Congresso, as relações com os Estados deveria ser feita pelo Senado, que seria a Casa da Federação, mas Lira não quis saber disso. Além de tudo vai tentar fazer o que Bolsonaro não consegue fazer com os tais estados, que ele sempre fustiga na crise da pandemia.

No Ceará, na sexta-feira (26/02), Bolsonaro chegou ao ponto de afirmar que os estados que continuam insistindo em fechar as atividades com o recrudescimento da pandemia além de estarem errados, as “pessoas querem trabalhar”, disse que eles deveriam pagar o auxílio emergencial.

Lira faz tudo de caso pensado e faz com determinação. Seria uma forma de afrontar o senador Rodrigo Pacheco que não lhe deu apoio na PEC da Impunidade ou seria um aviso para Bolsonaro que ele tem que se achar e que agora tem quem mande?!

Em princípio, espero contar com a tese do alarido inaudível das festas juninas. Lira busca eliminar o percalço recente e mostrar que pode fazer mais e melhor. Bem, por enquanto é o que arrisco dizer, mas no caminhar do andor poderemos ver mais, bem mais!

Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira