O problema é que Jair Bolsonaro não se ajuda!

Bolsonaro sempre pede para seus apoiadores se seguirem pelas redes sociais, na esperança, talvez, que não enfrente contradições

21 de dezembro de 2020, às 10:30 | Genésio Júnior

O presidente Jair Bolsonaro adora o risco, pedir prudência e cuidados ao nosso chefe de governo e Estado é como pedir que o mar não se jogue com suas marés nas encostas. Quase impensado, mas a política é uma atividade humana oportunística por sua própria natureza. Em certos momentos, se evitar determinadas ações esperadas em nome de objetivos maiores é a regra.

Nesta semana que se foi, depois de idas e vindas, o presidente da República lançou no Palácio do Planalto o Plano de Operacionalização da Vacinação contra a COVID-19. Foram lá vários governadores de oposição, convidados pelo Planalto. Bolsonaro falou em união com eles, falou de uma doença desconhecida. No dia seguinte, na quinta-feira, 17, ele foi a Bahia, depois a Minas Gerais, por lá disse cada coisa!

“Na Pfizer (farmacêutica norte-americana que está produzindo uma das vacinas) está bem claro no contrato: nós não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um chipanzé, se você virar um jacaré, é problema de você. Não vou falar outro bicho aqui para não falar besteira. Se você virar o Super Homem, se nascer barba em alguma mulher aí ou um homem começar a falar fino, eles não têm nada a ver com isso. Ou o que é pior, mexer no sistema imunológico das pessoas. Como você pode obrigar alguém a tomar uma vacina que não se completou a terceira fase ainda? Que está na experimental?”, questionou.

Na sexta-feira, 18, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, aquele republicano radical que não fica numa sala com uma mulher de jeito nenhum, se vacinou contra a COVID-19, em público, mostrado pela TV, com a vacina Pfizer, a do “jacaré”.  A mulher dele, segunda dama, Karen Pence e o cirurgião-geral da Presidência dos EUA, Jerome Adams, também tomaram a vacina “Jacaré”. A Casa Branca informou que Donald Trump ainda não tomou a vacina, pois não foi orientado, ainda sobre isso.

Neste sábado,19, o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi o primeiro chefe de estado a ser vacinado com a vacina “Jacaré”. Nesta semana que se inicia, o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, e a vice-presidente eleita Kamala Harris, devem se vacinar e, em seguida, virá ex-presidentes dos Estados Unidos. 

Para completar, o nosso presidente, na quinta-feira,17, disse que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi o responsável pelos brasileiros que são beneficiários do bolsa família não receberem o 13º parcela. Foi desmentido por seu ministro da Economia, Paulo Guedes, e por seu líder na Câmara dos Deputado, Ricardo Barros (PROGRESSISTAS-PR).

Bolsonaro sempre pede para seus apoiadores deixarem a imprensa de lado e se seguirem pelas redes sociais, na esperança, talvez, que não enfrente contradições no que fala e diz, como verdades solares e divinas.

O presidente Bolsonaro, por razões que precisam ser explicadas noutro momento, pode até eleger para o comando da Câmara e do Senado parlamentares que podem lhe apoiar nos próximos anos que tem pela frente de presidência, porém essas atitudes vistas nesta semana atrapalham mais que ajudam.

Os políticos sabem que o Governo Federal vai ser fundamental neste início de ano vindouro para os estados e municípios pois a pandemia, apesar de Bolsonaro afirmar que está no finalzinho, e as vacinas, com ele dizendo que você poderá virar jacaré, só vão começar a imunizar grande parte da população ao final do primeiro semestre.  Bolsonaro, antes do país começar a se recuperar, vai ser decisivo para o resto do país. Os equívocos em série de Sua Excelência, para ser comedido, vão ser oportunizados pelo políticos. Os profissionais, são profissionais, porém ele poderia ser menos Bolsonaro.

O problema de Bolsonaro é que ele não se ajuda, nem um pouco!

Presidente Jair Bolsonaro / FOTO: EXAME

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