Bolsonaro precisa acelerar a vacinação contra a COVID-19

Até agora, só existe acordo com a Oxford-AstraZeneca, um pré-acordo com a CoronaVac e tem uma negociação em curso com a Pfizer

28 de dezembro de 2020, às 10:30 | Genésio Júnior

Nesse sábado pós-Natal, o nosso presidente Jair Bolsonaro, ao fazer um passeio por Brasília (DF), oportunidade em que andou por alguns bairros do Plano Piloto da Capital Federal, foi questionado, pelos jornalistas setoristas do Planalto, se se sentia pressionado pelo fato de alguns países, vizinhos nossos e mais pobres, já estarem vacinando contra a COVID-19.

“Ninguém me pressiona pra nada, eu não dou bola pra isso. É razão, razoabilidade, é responsabilidade com o povo, você não pode aplicar qualquer coisa no povo “, disse.

Neste final de semana, também, foi divulgado pelo projeto Launch & Scale Speedometer, da Universidade Duke, da Carolina do Norte (EUA), que o mundo já contratou 7,7 bilhões de vacinas contra o COVID-19. Os mais ricos já tem R$ 4,4 bilhões e os países médios, como o Brasil, ficaram com 2,9 bilhões. Além dessa soma, os 7,7 bilhões contratados, existem contratos para mais 3,9 bilhões de vacinas no futuro. Estima-se que a União Europeia e mais 9 países vão estar com todas as suas populações vacinadas até o segundo semestre de 2021.

O nosso Brasil só tem acordo mesmo com a Oxford-AstraZeneca, um pré-acordo com a CoronaVac e tem uma negociação em curso com a Pfizer. Temos o acordo da Covax, tocado com Organização Mundial de Saúde (OMS), mas que tem como meta atender o planeta e vai atender primeiro os mais pobres, em parcelas. 

Alguns países já contrataram vacinas para atender várias vezes suas populações. É o caso, também, aqui do nosso vizinho Chile. 

O Presidente Jair Bolsonaro deveria, sim, estar preocupado em vacinar o mais rapidamente possível, deixando à disposição dos brasileiros e brasileiras, o maior número de vacinas possíveis. Não resta dúvida que os países que se vacinarem mais rapidamente possível vão retornar a avançar no crescimento e no novo desenvolvimento, que se monta no pós-pandemia.

Existe muito dinheiro no planeta que não foi investido durante esses meses de pandemia. É natural que esses fundos que controlam esses trilhões de dólares que tiveram que parar de girar como deveriam vão procurar as oportunidades nos países que “girarem” mais rápido.

O Brasil, de longe, é um dos países, quem em condições mínimas, está à frente de muitos outros. Somos um país continental, muitos recursos, falamos uma só língua, não temos grades conflitos, não temos problemas com nossas fronteiras, temos espaço de sobra para seguir firme, porém se demorarmos a avançar na questão da imunização teremos dificuldades.

Existem países emergentes, frente a nova economia que se monta, que podem ganhar vários pontos à frente. Não se esqueça que estamos vivendo uma revolução econômica pós-pandemia impressionante. Temos uma grande vantagem, repito, pois temos, também, um sistema único de saúde (SUS) que foi fundamental nesses meses, mesmo com os erros do nosso Presidente. No mundo inteiro, até os mais liberais vão buscar montar estruturas parecidas com a nossa.

Bolsonaro tem que deixar de lado certas ideias.  Se ele ajudar a fazer a economia nacional avançar, vertiginosamente, em 2021 ele vai entrar 2022, o ano que ele tanto tenta antecipar, firme para tentar seu projeto de reeleição. O povo vai esquecer seus erros se ele aparecer bem na foto, na hora da fartura esperada. Infelizmente, até o momento, a ideologia o cega.

Avalio que esse tempo não tenha mais como ser recuperado, infelizmente.

Brasil está atrasado na compra da vacina / FOTO: Olha Digital